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Só que não

Estamos começados mas não acabados. No fim, no regresso a nós, que consigamos, serenamente, dizer: «Ousei viver!». Sou feita de sentir e o que não me cabe no peito, transpiro-o nas palavras. Sou mulher e sou feliz.

01
Fev17

...

By, JUX

Hoje, propuseram-me um jogo. Disseram-me que iria ser um jogo de palavras. Um jogo com palavras. Mas eu acho que se enganaram. O jogo que me propuseram é muito mais que um simples jogo de palavras e com palavras. O que me propõem, hoje, é que se fale sobre o jogo da vida. Da nossa vida. É que se apure se, no final, vamos poder dizer que foi um jogo de vida. Com (muita) vida. Senão vejamos: Pediram-me que falasse sobre envelhecer. Acho que já posso falar sobre isso. Sem medos. Alias, nada podia vir mais a propósito. Nada melhor do que falar sobre envelhecer para quem, este ano, entra nos (mal) afamados “entas”. Ter de começar a tratar os quarenta (anos) por tu é ficar com aquela sensação de que estamos a lidar com uma pessoa muito mais velha, com uma sapiência fora do comum e com alguém que já sabe tudo o que a vida tem para lhe ensinar. Mas, depois, quando os vês entrar pela porta – aos quarenta –, só tens tempo para dizer — antes de os deixares irromper, pela tua vida dentro: — Já? Já chegaram? Tão depressa? Sim. Tão depressa. E só tens tempo de começares a correr para pores a tua melhor roupa — aquela que melhor disfarce as (dis)formas do teu corpo — , de procurares o teu melhor blush — aquele que, por um ato de magia, te tire todas as rugas — e de pintares o cabelo com a tua melhor tinta – aquela que te cobre todos os cabelos brancos. Depois de ficarmos impecáveis, passamos a desejar — com todo o nosso empenho — que os quarenta sejam mais parecidos com os trinta do que com eles próprios. A nossa sorte — a das mulheres, pelo menos — é que «nunca se pergunta a idade a uma senhora». Sabem uma coisa? Se calhar, vou desiludir-vos. Se calhar, ainda «não me caiu a ficha» ou, se calhar, ainda tenho (muito) com que me entreter. Mas a verdade é que não sinto que os quarenta sejam esse bicho papão que tanto querem que eles sejam. Sim, vou vestir a minha melhor roupa, vou por o meu melhor blush e vou escolher uma tinta que condiga com o meu tom de pele. Mas não é para disfarçar os quarenta de trinta. É para comemorar o facto de estar a aproveitar a vida. De a ter aproveitado e querer muito continuar a aproveitá-la. Talvez isto só resulte porque, de uma maneira geral, vivo sem nenhum arrependimento. A vida tem-me ensinado que até os erros são necessários para aprendermos a separar o trigo do joio e para nos ensinar o que é essencial e o que passa a ser acessório. Não é em vão que, tantas vezes, escrevi nos cadernos da escola: «Não te arrependas do que fizeste, arrepende-te do que deixaste por fazer.» E eu ainda tenho tanto por fazer. Os quarenta não chegam com uma sapiência fora do comum, nem nos trazem tudo o que a vida tem para ensinar. Não. Os quarenta chegam vestidos de uma consciência diferente dos trinta. Chegam com a certeza de que o tempo não volta atrás, que não é tempo para arrependimentos e que envelhecer também pode ser sinónimo de saber aproveitar (bem) a vida. Faltam seis meses para que os meus quarenta anos me batam à porta. E o que vos posso garantir, neste momento, é que irei abrir a porta com a minha melhor roupa, com a minha melhor maquilhagem e com o meu melhor penteado para lhes poder dizer: — Façam favor de entrar. Tenho estado à vossa espera.

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