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Só que não

Estamos começados mas não acabados. No fim, no regresso a nós, que consigamos, serenamente, dizer: «Ousei viver!». Sou feita de sentir e o que não me cabe no peito, transpiro-o nas palavras. Sou mulher e sou feliz.

30
Jan17

...

By, JUX

Aprendi que as palavras não são só palavras. São vidas. são histórias. Fragmentos de nós. Palavras. Umas vezes faladas, outras tantas sentidas. Umas vezes juradas outras vezes sofrifas. Falo de ti, quando descrevo aquele olhar. E falo de ti, quando digo o que é gostar. E de ti, o que já me leste? O quanto gostaste ou o quanto sofreste? Ja falei de ti, de ti e de ti. Há palavras que dizem tanto de nós. Escrevo assim, com este jeito de sentir. Escrevo para mim, o que é sentido por vós. Todos temos histórias. Umas contadas, outras apenas guardadas. Quero saber das vossas histórias. Escrevam um titulo, uma frase, uma ideia nos comentários a esta publicação. O comentário que obtiver mais "gostos", durante a próxima semana, será o titulo/ideia/ frase para um próximo texto meu. Quero saber de vós, que, aqui, vão querendo saber de mim

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28
Jan17

Livre em mim

By, JUX

Livre em mim. Quanto mais me prendo a mim; quanto mais de mim dependo, mais de mim quero depender, mais quero ir vivendo. Ser livre. Isso que chamam de liberdade. Quantas vezes quisemos ser livres e ficámos presos à saudade? Ser livre. Não depender de ninguém. Tantas vezes que quis ser livre e em mim me fiz refém. Já jurei ter sido livre, perdendo-me em momentos de outrora. Era livre dizia eu, mas só era livre da boca para fora. Com o tempo, fui aprendendo. Deixei de ter ilusões. Percebi que a liberdade vem de dentro, quando desamarramos as nossas prisões. Descobri há algum tempo, que isso que chamam de liberdade, é viver, é seguir em frente, é rasgar o passado, é soltar a saudade. Hoje, tenho-me a mim, não espero por ninguém. Quem vier, que venha para ficar. Quem ficar que fique por bem. Não és livre por estares sozinha, nem tão pouco por estares com alguém. És livre, na tua essência, quando a ti te quiseres bem. E, hoje, que tenho a liberdade em mim, que vivo sem ser na saudade, posso dizer com toda a certeza, que já me posso prender a ti de verdade.

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25
Jan17

Almas iguais não se conquistam. Pertencem-se.

By, JUX

«Almas iguais não se conquistam. Pertencem-se.» Foram estas as palavras que deixaste escritas, num talão de multibando, em cima do tapete da sala. Foram estas as palavras que li assim que acordei. Experimentei, instantaneamente, um frio que nunca havia sentido – e não era pelo facto de estarem menos dois graus lá fora. Não. Era um frio diferente. Um frio que não gelava o corpo. Era um frio que gelava a alma. Que congelava o sangue nas veias, que retirava o oxigénio que nos permitia respirar. Ainda estava nua. E, agora, já nem a paixão me cobria a pele. Tinha a pele despida. Despida de roupa, por fora, e, por dentro, despedida de sentir. Só tive tempo de correr — o mais depressa que consegui — até encontrar o tampo da sanita para levantá-lo e expulsar o vómito, que me invadira as entranhas, segundos antes. Fiquei ali, durante alguns minutos. A vomitar o que, horas antes, dias antes, sentira e que, agora, era obrigada a expulsar de mim. O que não podia mais sentir. O que não me deixaste viver. Recompus-me na mesma proporção das minhas forças. Sentia-me um trapo velho e assim me deixei ficar. Saí da casa de banho, caminhando sobre os pés – descalços e frios – como alguém que desaprendera o andar. Voltei à sala gelada e cobri a pele com o cobertor que antes tinha servido para nos aquecer o corpo. E a alma. Deixei-me cair para o sofá de veludo preto, que estava em frente à lareira. Apanhei o talão de multibanco que continha as tuas últimas palavras e amachuquei-o — com todas as minhas forças — até o esconder na minha mão. Cerrei o pulso – ainda com mais força — como se, assim, te conseguisse prender a mim; como se, assim , tendo-te ali, fechado na minha mão, nunca mais pudesses sair. Mas pudeste sair. E saíste. Saíste daquela sala como saíste da minha vida. Tal e qual como entraste. De rompante. Sem autorização. E agora? Como se apaga uma pessoa que está tatuada na pele? Arranca-se a carne? Como se esquece uma pessoa que rege as batidas do nosso coração? Pede-se que deixe de bater? Como se expulsa uma pessoa que habita em nós? Despejamo-nos? De nós? As lágrimas inundavam-me o rosto e acumulavam-se na pedra que o tapete deixava ver. — Almas iguais não se fazem isto, Duarte. – Disse, em tom monocórdico. Fechei os olhos e corri para fora daquela sala gelada. Já não queria estar mais ali. Já não havia vida ali. Já não havia nada mais para viver ali. Fui ter connosco. Quando ainda não havia um nós, mas havia vida. Duas vidas cheias de vida. Entre as lágrimas que me petrificavam o rosto, surgiu um vago sorriso enquanto recordava o dia em que falámos pela primeira vez. Há nove, longínquos, dias. Naquele passeio junto à entrada do hotel. Tínhamos acabado de participar na reunião da empresa. Zurique era lindo. Antes de ir, tinha imaginado que seria uma cidade fria no inverno, mas nunca pensei que fosse tão fria. Esperava-me uma jornada de duas semanas de (muito) trabalho, pouco descanso e exageradas saudades do meu gato. Era quinta-feira. Tínhamos aterrado há poucas horas e só houve tempo para um banho quente antes da reunião de trabalho. Cumprida a reunião, seguia-se o jantar, servido num dos restaurantes do hotel. Aproveitei o intervalo para ir à rua fumar e espreitar o telemóvel. Estava a enviar uma SMS à minha melhor amiga, quando dei pela tua presença. Acho que a mensagem nunca chegou a ser envida. Fiquei presa nos teus olhos e as tuas palavras ficaram presas na minha alma. — Não consigo ver o teu corpo continuar a tremer de frio. E, sem me dares tempo para responder, senti o teu casaco aconchegar-me. Desde esse dia, as nossas almas nunca mais sentiram frio. Afinal, Zurique podia ser uma cidade quente em pleno inverno. E, nos oito dias que se seguiram, respirámos um pelo outro, reaprendemos a sorrir, passámos a conhecer de cor a outra pele e tivemos a certeza de porque é que ainda não tinha dado certo com mais ninguém. E, ali, no pico do inverno, vivi o meu melhor verão. Até ler aquele talão de multibanco. As malas estavam feitas. Tinha avião de regresso dali a três horas. Abri a mão — já dorida da imensa força que fizera — e atirei o papel para o fundo da lareira. Ali, arderiam as tuas últimas palavras, as memórias, a paixão, a esperança. Voltava sem ti e vazia de mim. Cheguei ao aeroporto com destino a uma vida cheia de nada. Sentei-me no lugar que me estava reservado e preparava-me para me afundar na música mais melancólica que encontrasse na minha playlist, quando ouvi… — Almas que se pertencem não se juntam. Fundem-se.

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24
Jan17

Para sempre é tanto tempo.

By, JUX

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Não te vou querer para sempre. Para sempre é um tempo exagerado. Quero-te na mesma proporção de tu me quereres a teu lado. Quero-te enquanto fores feliz. Enquanto olhar para ti e souber o motivo pelo qual sorris. Para sempre é tanto tempo. Por vezes, tempo amargurado. Sempre que quis para sempre o para sempre veio com tempo contado. Sim, já quis para sempre. Sempre achei que isso é que era amar. Mas por querer para sempre, tantas vezes, me deixei secar. Queremos para sempre porque temos medo. Temos medo de perder. Temos medo de perder o outro, que outro nos faça sofrer. Que mentira tão ingrata esta, de achar que o correcto é, para sempre, querer. Como podemos querer para sempre se nem para sempre podemos ser? Não. Não te quero para sempre. Quero-te nos momentos de verdade. Quero-te, hoje, agora, neste instante. Não quero conjugar a palavra saudade. Quero-te, agora, que estou viva. Quero-te assim com esta vontade de (te) viver. Quero enquanto me disseres que também és feliz por me ter. Quero-te no reciproco, na mesma linguagem, quero-te na mesma frequência, na mesma viagem. Não aches que te amarei menos por te querer, essencialmente, agora. Tudo o que disse que era para sempre, acabou por ir, cruelmente, embora. Assim, isto de por cá andar, trouxe-me uma grande lição. Aprendi que jurar que era para sempre, era a mentir ao coração. Talvez, um dia, sem ser preciso dizer, encontre a melhor solução. Talvez, se te amar no presente, sem planos, não engane o coração. Assim, amo-te agora, neste instante, com esta vontade de te sentir. Amo-te assim, amo-te hoje, amo-te tanto, que amanhã quero repetir.  

 

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