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Só que não

Estamos começados mas não acabados. No fim, no regresso a nós, que consigamos, serenamente, dizer: «Ousei viver!». Sou feita de sentir e o que não me cabe no peito, transpiro-o nas palavras. Sou mulher e sou feliz.

29
Jun17

As tais borboletas.

By, JUX

Sabes o que é mais curioso? É este frio que me assalta a barriga sempre que penso em ti; sempre que olho para o telefone e vejo uma mensagem tua – nem que seja para ler a coisa mais parva do mundo ou sempre que me lembro do teu sorriso – também, quem é que consegue esquecer esse sorriso? Chamam-lhe as borboletas no estomago. As tais borboletas. Aparecem de repente. E é de repente que ficas sem saber se são as pernas que te estão a falhar ou se és tu que estás a falhar com as pernas. Se não são borboletas não sei que mais poderá ser porque o meu corpo sofre, por frações de segundo, uma metamorfose tal que eu juro-te que sou capaz de voar. Juro-te que ganho asas. E sou livre. Como as borboletas. As tais borboletas. Desconfio que é amor. E desconfio que quando é amor; quando é mesmo amor, as borboletas vão sempre existir. O frio na barriga irá sempre causar-nos os arrepios mais estranhos na pele e as pernas, essas, vão continuar a tremer. E eu que pensava que isto passava com a idade. E eu que pensava que estas sensações estavam apenas reservadas ao período da adolescência. Aí sim, podíamos sentir tanto porque eramos feitos de tudo. E eu que pensava que isto era um processo próprio de quem ama pela primeira vez. Mas enganei-me. Enganei-me redondamente. E fico com aquela sensação de que «ainda bem que me enganei». Sabes? A pele já vai dando sinais. O corpo já não tem a jovialidade de um corpo de vinte anos. Faz parte. E dás por ti a tentar – da melhor forma que consegues – contrariar a ordem natural das coisas. Dás por ti a contrariar os sinais do tempo. Queres atenuá-los. Embelezá-los. Disfarça-los. Não quero com isto dizer que não assumas as tuas rugas, os cabelos brancos ou as pernas cansadas. Assumes. E, na maioria das vezes, assumes até com um imenso orgulho. Orgulho de ti. Em ti. Das tuas marcas. Das cicatrizes que contam histórias. A tua história. O que quero dizer é que a ordem natural das coisas – por muito que a contraries – dita que a pele vá envelhecendo. Que o corpo vá cedendo. Que o cabelo caia mais e que a resistência a esses factores vá sendo cada vez menos. A pele, essa, já vai dando sinais. Mas, e a alma? Ai a alma… A alma permanece intacta. A alma não se corrompe. Mantém-se pura. Selvagem. Rebelde. Viva. Sim, viva. Quando a pele teima em engelhar-se; quando as pernas parecem começar a falhar, vem a alma para nos lembrar que pouco importa a matéria quando o que nos mantém, realmente, vivos é a essência. É disto que somos feitos. Do que nos corre por dentro dos tecidos e não da forma que eles tomam por fora. E cá dentro eu [ainda] sinto tanto. Sou feita de tanto. [Ainda] quero tanto. Há dias disseste-me: «Podes morrer, que para mim és eterna» Nada, mas nada podia espelhar melhor tudo aquilo que acabei de dizer. O corpo um dia vai morrer. Um dia choraremos a morte do corpo um do outro. Mas será só isso. Choraremos apenas o desaparecimento da matéria. Porque a essência, aquilo de que somos feitos; aquilo que nos mantem unos, isso, ai isso meu amor é eterno. Não tem idade. Não se corrompe. Não se altera. É imutável. Por exemplo, o meu cartão de cidadão, hoje, diz-me que tenho 39 anos – e que estou a escassos dias de entrar nos 40 –, mas eu posso jurar-te que, hoje, não tenho mais de 19, 20 anos. Posso jurar-te que voltei a ser adolescente. A sentir como uma adolescente. Daquelas que ficam com os nervos à flor da pele só de pensar na possibilidade de te ver. Hoje, tenho a certeza de que a noite será passada em branco. Será passada a imaginar, baixinho e antes de conseguir adormecer, os mil e um cenários e as mil e duas palavras que gostaria te de dizer. De fazer. De te pedir. De [te] viver. Esta noite, antes de adormecer, vou amar-te com todas as minhas forças. Com todo o meu querer. E vou adormecer à pressa para que chegue amanhã. Só porque amanhã os meus olhos voltarão a perder-se nos teus. Porque amanha – mesmo que não aconteçam os mil e um cenários que idealizei; mesmo que não te consiga dizer metade das palavras que decorei – tu voltarás a ser meu. Foi assim há 10 anos – quando te vi pela primeira vez – e, hoje, volta a ser exactamente assim. Hoje, [ainda] é assim que sinto. Hoje, [ainda] é assim que te sinto. Porque, há 10 anos, quando olhei para ti, pela primeira vez, não foi pelo teu corpo que me apaixonei. Foi pela tua alma. Há quem diga que são as tais borboletas. Eu prefiro pensar que é amor.

ha quem diga29.06.2017.jpg

28
Jun17

...

By, JUX

Não me peças para ser tua amiga. Não agora. Agora, que te desejo como homem. Há papeis que não podemos assumir. Há sapatos que não devemos calçar e há caminhos que não devemos percorrer. Como te posso beijar a face se a minha boca te deseja os lábios? Como te posso dar um abraço se o meu corpo te deseja a pele? Como te posso acalmar se o que eu mais quero é te desassossegar? Não me peças para ser tua amiga. Não agora. Agora, que te quero como homem. Os meus olhos não te têm ternura; os meus olhos têm-te tesão. As minhas mãos não te têm afecto; as minhas mãos têm-te desejo. O meu corpo tem-te vontade. No meu corpo fica a saudade. Nunca peças a um corpo para gostar, quando ele é feito para amar.

nunca peças a um corpo28.06.2017.jpg

27
Jun17

...

By, JUX

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Não me tirem a imaginação…

É lá que me encontro contigo e te dispo as roupas. É lá que te percorro a pele – eriçada - e onde te decoro o cheiro. É lá que procuro os teus braços e neles me embalo em segurança. É lá que moro. Nos teus beijos e no teu abraço.

Não me tirem a imaginação. Porque é lá o nosso que o nosso amor não é impossível!

26
Jun17

...

By, JUX

Não esperes pelas melhores palavras.

as melhores(palavras)26.06.2017.jpg

 

Não esperes que [te] diga as melhores frases.

Não aguardes pelos melhores poemas.

Porque as melhores [palavras], as mais perfeitas, as mais sentidas guardo-as para escrever na tua pele…em silêncio!

 

20
Jun17

Não lhe dês tudo.

By, JUX

Não lhe dês tudo. Há tempos, li um artigo escrito no masculino em que no meio de todas as palavras que me iam prendendo a atenção, existiram três ou quatro que me prenderam a respiração. Uma das coisas boas que o avançar da idade nos traz é a sabedoria. Não falo da sabedoria dos livros – essa será sempre intemporal. Há quem a aproveite desde sempre e há quem nunca a chegue a aproveitar. Essa sabedoria não tem idade. Falo da sabedoria da vida. Daquela que nos é oferecida pela experiência. Pela experiência que vamos adquirindo com as conquistas, pela experiência que vamos aprendendo com as derrotas, pelo preenchimento que nos chega com um sorriso e pela aprendizagem que fica de uma lágrima vertida. Essa experiência – a da vida –, por vezes, faz-nos achar que já temos o conhecimento necessário ou, no mínimo, o conhecimento básico sobre quase todos os assuntos. Achamos sempre que já experienciámos quase tudo e que isso é o suficiente para nos dar a bagagem necessária para não voltarmos a errar da próxima vez. Ou pelo menos para já sabermos minimizar os danos. Mas depois há sempre qualquer coisa que nos deita tudo isso por terra. Que nos muda as perguntas e que nos baralha as respostas. As relações humanas hão de ser sempre um dos maiores mistérios da humanidade. Desengane-se quem pensa que é sábio em relação a esse tema. Quem pensa que tudo sabe, arrisca-se, seriamente, a viver para sempre na ignorância. Também eu não sou diferente. Também eu acho que já adquiri toda a teoria – porque é que na prática é sempre tudo tão diferente? – para me saber resguardar de todos os males que se possam atravessar no meu caminho. Falo, obviamente, das tais relações humanas. Falo mais precisamente das relações entre homem e mulher. E eis que quando acho que já tenho o mestrado em: «Desta vez é que vou ter um relacionamento perfeito e vou ser feliz para sempre», leio um raio de um artigo escrito por um homem e fico com a certeza de que, se calhar, nem o secundário acabaria com sucesso. Aquele artigo caiu em cima de mim como se tivessem decretado oficialmente a terceira guerra mundial nos meios de comunicação social. Então não é que a meio da leitura – que transmitia um ponto de vista nada convencional para quem está a falar no masculino – pude ler, entre outras, as seguintes palavras: «Nunca, jamais dês tudo de ti ao teu parceiro». Petrifiquei! Juro que o meu coração bombeou duas vezes mais rápido naquele momento; juro que o ouvi pulsar mais depressa e juro que aquelas palavras saíram do texto para virem bater de frente comigo tal e qual uma colisão grave frontal. Como não dês tudo de ti? Como assim? Como é que passamos metade da vida a formatarmo-nos para encontrar alguém que saiba apreciar, verdadeiramente, tudo o que temos guardado dentro de nós para, agora, nos virem dizer que o segredo é não dar tudo? Fiquei em choque. Afinal o «só sei que nada sei» tinha acabado de ter efeito prático. Aos poucos, fui recuperando a respiração e as cores devem-me ter voltado a face. Aos poucos, foi como se este choque frontal tivesse servido para um acordar letárgico em que me encontrava talvez desde sempre. Fui compreendendo as palavras e não as encarei como uma prepotência de alguém que se achava o rei da cocada preta. Não. Li-as como alguém que desmistificava um mito; como alguém que apreciava, verdadeiramente, uma mulher e, acima de tudo, de alguém que a respeita. Então, afinal, o que entendi eu das suas – cruas – palavras? Um homem gosta de admirar uma mulher. Gosta de admirar-lhe os pormenores, os gestos, os trejeitos, os seus mistérios. E, nós, mulheres, o que fazemos? Damos-lhes tudo. Achamos que é o que eles mais querem. Que é o que estão à espera. Aprendemos que essa é talvez a prova cabal de saber amar. Por isso, tantas vezes, esquecemo-nos de nós porque só pensamos no outro. Para o outro. Em função do outro. Mas, ao contrario do que possamos pensar, não é isso que um homem valoriza. Não é isso que faz um homem admirar uma mulher. Não é isso que vai fazer com que um homem fique com uma mulher – agora, que penso nisso, raramente, um homem fica com uma mulher assim (não me estou a referir àquela espécie de homens que fazem do egoísmo a sua maior bandeira. Para esses, só lhes servirão as mulheres que insistem em dar tudo e se contentam em receber nada). Um homem gosta de admirar a sua mulher, de a cortejar, de a sentir sua e, se lhe deres tudo, resta-lhes nada para admirar. Para desejar. Para querer. Um homem gosta de sentir que te conquista, diariamente, gosta de sentir que ganhou o jogo, mas que ainda tem o campeonato para alcançar. Um homem gosta de [te]explorar, devagarinho, dia a dia, gosta de [te] tornar a sua mulher, de [te] fazer sentir a mais bela delas todas. É assim que ele te vai fazer sentir especial, a única, a que o vai fazer ficar. Sempre que caímos no erro de darmos tudo; de querermos dar tudo, - e olhem que eu fartei-me errar - o que vamos receber em troca é apenas uma mão cheia de desinteresse. Porque não resta nada para admirar, para conquistar, para descobrir. Esqueçam essa coisa de «o verdadeiro amor é aquele em que damos sem precisar de receber». Bullshit. Somos humanos, porra! Não somos máquinas. E até as próprias máquinas para nos dar algo, requerem um esforço prévio da nossa parte para obtermos o resultado desejado. Que nos dêmos uns aos outros. Sim. É fundamental para que as relações humanas resultem, mas não nos esvaziemos de nós na esperança de que a outra parte só se contenta quando dermos tudo. A única coisa que vamos conseguir é uma vida cheia de nada.

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