Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Só que não

Estamos começados mas não acabados. No fim, no regresso a nós, que consigamos, serenamente, dizer: «Ousei viver!». Sou feita de sentir e o que não me cabe no peito, transpiro-o nas palavras. Sou mulher e sou feliz.

07
Jun17

...

By, JUX

vou continuar a sorrir07.06.2017.jpg

 

8 anos…

Podia jurar que foram 80. Sabem-me a 80 anos. Continuam a parecer-me mais de 80 anos.  E, 80 anos já são uma eternidade, não são? É isso mesmo que sinto. Uma eternidade de tempo entre nós.

Continuo a sorrir. Foi assim que aprendi contigo. A sorrir. Fizeste de mim uma menina feliz e as meninas quando são felizes sorriem, não é?

Sabes? Tenho sempre tanta coisa para dizer, para escrever, para acrescentar e esta é a única altura em que me faltam as palavras. Talvez porque tas disse todas e ainda bem. Se calhar é por isso que [ainda] sorrio.

É, absolutamente, impossível não sorrir quando falo de ti. Aliás, é quase impossível não gargalhar. 

Lembras-te quando foste comigo – ias sempre comigo – comprar as minhas primeiras calças de marca, à baixa de Lisboa – depois de eu ter junto o dinheiro para esse meu capricho –, a uma loja que se chamava Piccolina e, já fartos de palmilhar a Rua Augusta, me perguntaste com esse teu ar muito convicto: «Onde raio fica essa loja – a Chicho Lina?». Na verdade, não foi «raio» que disseste. 

E aquela vez em que eu cheguei a casa e comentei contigo que tinha vindo de casa da minha melhor amiga e que, lá por casa, se faziam 3 bolos de cada vez por serem 5 pessoas a comer. Lembraste o que me perguntaste? «Poça e batem a massa onde? Na máquina de lavar roupa?». Na verdade, não foi «Poça» que disseste.

Depois também houve aquela vez em que eu estava no computador e por algum motivo que, agora, já não me recordo, visitava uma página que se chamava Bet and Win, e quando eu te repeti o nome tu, espantado, afirmaste: «Porra, Betadine?». Na verdade, não foi «porra» que disseste.

Ficava aqui a noite toda a escrever. Alias, ficava dias. Ou melhor, podia ficar, aqui, uma vida inteira a falar de ti que as palavras iam sempre sair embargadas, mas nunca acabariam.

Fazes-me falta. E isto não há outra forma de o dizer. Não há, aqui, formas bonitas para o dizer como faço nos meus textos, em que ponho as palavras todas a condizer. 

Por muito mais que procure não encontro, efectivamente, outra maneira de o dizer. Fazes-me TANTA falta.´

Já não sinto falta dos presépios que me fazias com uma base de esferovite onde assentava o musgo verde – às vezes, cheio de bichos – que íamos apanhar ao monte. Porque isso fizemos na altura que o deveríamos ter feito e eu sou grata por isso.

Já não sinto falta de todas as vezes que me ias levar e buscar, fosse aonde fosse; à escola, a um passeio, a casa de uma amiga, ao comboio. Tinha sempre alguém para dizer adeus. Já não sinto falta porque isso fizemo-lo quando o deveríamos ter feito e sou tão mais preenchida por dentro. De afectos.

Já não sinto falta dos cigarros que fumámos juntos. Fumámo-los em consciência – com a mesma consciência que nos dizia como isso nos fazia mal. Mas soube-nos tão bem. Foi isso que ficou. Já não sinto falta porque isso fizemo-lo quando o deveríamos ter feito.

Já não sinto falta do que vivi porque foi isso mesmo que aconteceu. Vivi-o. Vivi-te. E sou-te tão grata por isso. 

E é por isso que [ainda] sorrio. Porque fizemo-lo quando o deveríamos ter feito.

Fazes-me falta pelo o que ficou por viver. Pelo o que me faltou viver a teu lado. Por todas as conversas que gostaria ainda de ter contigo. Por todas as coisas que ainda gostava de te mostrar e por todos os abraços que ainda gostava de receber.

Fazes-me falta no meu presente! Porque no meu passado tu estiveste lá. Sempre. E sou-te tão grata por isso. 

À minha maneira lá te vou mostrando o que que por, aqui, tenho andado a fazer e, à minha maneira, continuo a pedir-te que me orientes, que me protejas e que me encaminhes.

Sei que o fazes. À tua maneira.

Vou continuar a sorrir. Porque é impossível não sorrir quando falo de ti. Fizeste de mim uma menina feliz e as meninas quando são felizes sorriem, não é? E se calhar é só por causa disso que [ainda] sorrio.

8 anos…

Foda-se, podia jurar que passaram 80 anos, Pai! Só porque, na verdade, «foda-se», seria uma coisa que tu dirias.

AMO-TE, meu querido pai.

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Favoritos

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D