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Só que não

Estamos começados mas não acabados. No fim, no regresso a nós, que consigamos, serenamente, dizer: «Ousei viver!». Sou feita de sentir e o que não me cabe no peito, transpiro-o nas palavras. Sou mulher e sou feliz.

07
Jan17

Desafio Aceite

By, JUX

1:22h. Sexta-feira. A noite de copos, deixei-a lá fora. O mundo, hoje, acontece aqui no meu quarto. O telemóvel acaba de vibrar. — Mais uma notificação de facebook. – Comento comigo mesma. Provavelmente, é mais uma foto de alguém que resolveu aderir à última corrente das redes sociais, que se intitula «Desafio Aceite». Agarro no telefone com desprezo. Primo uma tecla qualquer para confirmar que não é nada que me vá tirar deste estado — meio embriagado de sono — em que me encontro. Tinha projetado uma noite serena. E não me tinha enganado. Havia sido até à 1:22h. Até ao momento em que, com aquele vibrar, me vieste lembrar – como se fosse possível algum dia eu esquecer – que na ponta oposta do país era possível estares perto de mim. Porque, à 1:22h de uma sexta-feira, é sempre uma boa hora para darmos sentido à palavra amar. Até porque amar (ainda) não tem hora marcada. Amar é assim. É feito disto. É saber as regras e querer quebrá-las. É rasgar a madrugada e desconcertar a noite que se quer serena. É trocar os planos e desorganizar os pensamentos. É passar do quase sono para o alerta permanente. É desejar estar a quilómetros daqui, deste quarto. É querer teletransportar-me para a ponta oposta do país. É querer voltar a dormir e já não conseguir. E, à 1:22h entraste pelo quarto adentro, aninhaste-te ao meu lado e sussurraste assim: — Quero estar naquela piscina contigo. Quando vais embora? — No Domingo. Não neste. No próximo. – Disse-te, ainda meia estremunhada. — Anda para a praia. Há uma festa na praia, anda. — Se ia. Ia mesmo. Estou-te a escrever (mais uma vez). – Confidencio-te. — Amo. O último (texto) que te li… Estava na praia a comer um pêssego com o cão ao meu lado. Sabes? Agora queria-te ali, naquelas espreguiçadeiras, junto ao chapéu-de-sol de palha. Fazíamos amor a noite toda. — Sem dúvida. – Disse-te eu, enquanto fechava os olhos, imaginando-me aí, nesse cenário que acabaras de descrever. — Assim, calminhos. Para poder olhar-te nos olhos. — Sem haver palavras. Porque não são precisas. Só voltar a sentir-te. Só mais uma vez! – Completei-te eu. — Olha, temos de ter sempre uns dias de férias aqui no Algarve. – Pediste-me tu, em jeito de compromisso para o futuro. O nosso futuro. Aquele que talvez nunca chegue. Mas, se um dia chegar, prometo-te que tiraremos, sempre, uns dias de férias no Algarve. E que faremos amor nas espreguiçadeiras, numa praia qualquer, a noite toda. — Vamo-nos ter sempre! Seja onde for. Mesmo que seja só assim, à distância. Onde tu fores feliz, eu também serei. Porque é o teu sorriso que me dá vida. Não no corpo. Na alma (…). E, à 1:22h, acabei também por aceitar o desafio. Não o das redes sociais, mas sim o desafio para uma vida. O desafio que vai além da vida. Aquele que une duas pessoas sem estarem juntas. Aquele que supera distâncias físicas. Aquele que, de tempos a tempos, precisa de se alimentar de amor mútuo. Aquele que nos desconcerta o pensamento mas que nos alinha a alma. Aquele que faz de uma noite serena um reboliço e aquele que nos faz registar tudo isto em palavras, às 4:11h da madrugada. Serão só palavras. Porque, na alma, tudo isto já está perpetuado, desde sempre. — És a minha herança! – Repetes-me, pela primeira vez, hoje! — Pertenço-te para sempre. Sabes disso, não sabes? — E eu a ti! – Dizes, em jeito de despedida. — Agora, íamos para a cama. – Dizes-me, sorrindo. E, então, apago a luz e aninho-me nos teus braços, nesta noite, que tinha a certeza que ia acabar serena.

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