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Só que não

Estamos começados mas não acabados. No fim, no regresso a nós, que consigamos, serenamente, dizer: «Ousei viver!». Sou feita de sentir e o que não me cabe no peito, transpiro-o nas palavras. Sou mulher e sou feliz.

14
Fev17

Era dia 14 de Fevereiro

By, JUX

O amor (pré) feito. A mesa já está posta. Que se acedam as velas. Que se desliguem as luzes. Hoje, o amor entra de mãos dadas com o melhor sorriso e traja com as melhores roupas. Os bilhetes também já estão comprados. - Vamos à sessão das nove e cinquenta para não ficar muito tarde. Amanhã é dia de trabalho. Mas escolhi o filme que querias ver. Acho que vais gostar. Hoje, trocam-se presentes. - Foi uma sorte ainda ter conseguido isto. Procurei em 3 lojas. Mas acho que vais gostar. Era o que andavas à procura há mais de um mês. O restaurante está lindo. Foi especialmente decorado para a ocasião. - Escolhi o menu especial Dia dos namorados. Pedi sem cogumelos porque sei que não gostas. Durante o filme, deram as mãos. Ela encostou-se ao ombro dele. Estavam a dar o seu melhor. Porque era assim que devia ser aquela noite. A melhor de todas. No final do filme, ela agradeceu-lhe todo o esforço que ele tinha feito para que corresse tudo bem. Despediram- se com um beijo, demorado, nos lábios. Mas as suas almas nem se tocaram. O amor (Per)feito. - Entra Rápido. Vamos fugir daqui. Seguiram pela marginal. A rádio tocava a nova música da Rihanna «Love on the brain». Mas era o sorriso dele que lhe transmitia a melodia mais bela que alguma vez ela pode ter ouvido. Pararam num sinal vermelho. Tinham o rio do seu lado esquerdo. O reflexo da lua na água era digno de um qualquer filme de Hollywood. Olharam-se. Não nos olhos. Olharam-se na alma. Como sempre faziam. O primeiro presente que se ofereceram, naquela noite, foi o beijo que puderam sentir a seguir àquele olhar. Podia a noite acabar; podia a lua não voltar a brilhar, mas o que ali aconteceu, ficaria registado nos anais das mais belas histórias de amor. Foram interrompidos pela buzina do Audi que seguia atrás deles. O sinal estava verde. Gargalharam ruidosamente, esticando o braço para pedir desculpa, num gesto de cordialidade. Na verdade, não havia nada a desculpar. Era amor. Estacionou o carro no parque em frente ao mar. Pediu-lhe que não saísse já. Dirigiu-se à mala do carro. De lá, tirou um saco e um cobertor polar perante o qual se enrolou. - Anda. Reservei a mesa com a melhor vista. Puderam caminhar juntos, partilhando aquele cobertor - que ia deixando rasto na areia da praia. Tinham sushi para comer que ele tinha ido buscar ao takeway antes de se encontrar com ela. Mas a fome era pouca. Quando alimentamos a alma, o corpo deixa de ter fome. A maré estava a encher. E nem assim eles se moveram. A partir daquele momento eram os corpos que ditavam as regras. E como eles lhes obedeceram. As ondas imitavam-lhes os movimentos. Uma atrás de outra. Até rebentarem numa sucessão de espasmos de prazer que só eles e as estrelas puderam testemunhar, naquela noite. No caminho para casa, ela não lhe largou a mão – que permanecia em cima da manete das mudanças, propositadamente. -É assim que eu quero celebrar sempre o amor- disse ela, olhando para a estrada. - Ainda bem. Porque eu não sei celebrar o amor doutra maneira. Era dia 14 de fevereiro.

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